Por Que o Luteranismo para a Irlanda?

Não uma religião nova — a velha fé da Irlanda, liberta para falar o Evangelho com clareza.

A antiga fé da Irlanda

A Irlanda era cristã muito antes da maior parte da Europa. Quando Patrício pregou aos irlandeses, pregou a Santíssima Trindade, Cristo crucificado e ressuscitado, e o Batismo em seu nome. A fé da antiga igreja irlandesa era a fé das Escrituras e dos credos — a mesma fé que confessamos hoje. O luteranismo não pede que a Irlanda abandone a sua herança cristã. Pede que ela receba essa herança de volta, com o Evangelho no centro, brilhando com clareza.

A fé católica, confessada evangelicamente

A Reforma Luterana não foi uma revolução que derrubou a Igreja para começar do zero. Foi uma reforma — uma correção cuidadosa e conservadora. Os reformadores conservaram tudo o que na vida da Igreja era bom, verdadeiro e antigo: a liturgia da Palavra e do Sacramento, o ano eclesiástico com suas festas, os credos, a prática da confissão e absolvição, a reverência diante do altar, o batismo de crianças. A própria Confissão de Augsburgo insiste que nossas igrejas não divergem da igreja católica em nenhum artigo de fé, mas apenas deixam de lado certos abusos que eram novos e contrários às Escrituras.

É por isso que um culto luterano parece antigo, e não inventado. Quem cresceu indo à Missa reconhece imediatamente a forma do Culto Divino: Kyrie, Gloria, leituras, credo, Sanctus, a Santa Ceia. O que era bom foi conservado. O que obscurecia Cristo foi removido.

O que precisava de correção

No final da Idade Média, abusos reais haviam crescido na Igreja Ocidental, e atingiam o próprio Evangelho. Indulgências eram vendidas com a promessa de encurtar o purgatório. A salvação era amplamente pregada como algo a ser merecido ou completado pelo mérito humano, deixando as consciências no medo, nunca certas do favor de Deus. O cálice do sangue do Senhor era negado aos leigos. O papado reivindicava sobre a Escritura e sobre cada alma uma autoridade que nenhum bispo de Roma jamais recebeu de Cristo. A Missa foi transformada em sacrifício oferecido a Deus pelos pecados dos vivos e dos mortos — como se o único sacrifício de Cristo no Calvário não bastasse.

A Reforma tratou dessas coisas não por desprezo à Igreja, mas por amor a ela e às almas sob o seu cuidado. Contra todo esquema de mérito, os reformadores puseram a palavra clara da Escritura: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé… é dom de Deus; não de obras” (Efésios 2:8–9). O sacrifício de Cristo está terminado e completo. O perdão não se vende, não se raciona, não se merece. Ele é dado — gratuitamente, com certeza, a você.

Uma palavra aos nossos vizinhos católicos

Dizemos isto com respeito e verdadeiro afeto. Compartilhamos com os fiéis católicos da Irlanda e do Brasil muito mais do que nos divide: a Trindade, os credos, as Escrituras, a reverência pelos Sacramentos, o amor pelos santos que nos precederam. Muitos de nós guardamos com carinho o que aprendemos de Cristo em lares e paróquias católicas.

Mas também sabemos que muitos carregam feridas. Alguns foram gravemente traídos pela instituição em que confiavam. Outros simplesmente se afastaram, sem nunca terem ouvido, no meio de tanta obrigação e observância, a única coisa necessária: que Deus, por causa de Cristo, perdoa todos os seus pecados — ponto final — não por seu mérito, e sem depender da dignidade de instituição ou clero algum. Se as falhas de uma instituição abalaram a sua fé, diríamos com carinho: a sua salvação nunca esteve apoiada nessa instituição. Ela está apoiada em Cristo, que não falha. A Igreja existe para entregar os dons dele, não para ocupar o lugar dele.

Não somos mais uma igreja moderna

Alguns que deixam Roma olham as alternativas e veem só o estranho: salões vazios, cultos informais, adoração construída em torno da personalidade do pregador ou do clima da música. Não é isso que somos. O luteranismo confessional é litúrgico, sacramental e histórico. O altar, a pia batismal e o púlpito permanecem no centro. A reverência que você conhece é conservada — e preenchida com a certeza do Evangelho.

“Creio que Jesus Cristo, verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade, e também verdadeiro homem, nascido da virgem Maria, é o meu Senhor, que me redimiu a mim, pessoa perdida e condenada, comprando-me e ganhando-me de todos os pecados, da morte e do poder do diabo; não com ouro ou prata, mas com o seu santo e precioso sangue e com o seu inocente sofrer e morrer.” — Catecismo Menor de Lutero, Segundo Artigo do Credo

Venha e veja

Não pedimos que você aceite nada disso só por nossa palavra. Leia o Catecismo Menor — leva menos de uma hora. Compare com as Escrituras. Depois venha a um Culto Divino quando um pastor estiver visitando, ou envie suas perguntas. O Evangelho é para a Irlanda — e para os brasileiros na Irlanda — porque o Evangelho é para pecadores; e Cristo não se envergonha de ser encontrado em Cork.


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