O Que Cremos
Cremos, ensinamos e confessamos a fé uma vez entregue aos santos.
A Santíssima Trindade
Adoramos o único Deus verdadeiro — Pai, Filho e Espírito Santo — três Pessoas em um só Ser divino, como confessado nos Credos Apostólico, Niceno e Atanasiano. Cremos que Jesus Cristo é verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade, e verdadeiro homem, nascido da virgem Maria; que foi crucificado pelos nossos pecados, ressuscitou corporalmente dentre os mortos, subiu aos céus e voltará em glória para julgar os vivos e os mortos.
A Sagrada Escritura
Cremos que as Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento são a Palavra de Deus inspirada e inerrante, e a única regra e norma pela qual todos os mestres e todas as doutrinas na Igreja devem ser julgados. Tradições, concílios e mestres da igreja — por mais veneráveis que sejam — estão debaixo da Palavra de Deus, nunca acima dela nem ao lado dela.
A justificação: o coração do Evangelho
Cremos que todas as pessoas são por natureza pecadoras e não podem, por força ou obras próprias, tornar-se justas diante de Deus. Mas Deus justifica o pecador — declara-o justo — gratuitamente, por sua graça, mediante a fé em Jesus Cristo, cuja vida perfeita, morte expiatória e ressurreição nos são creditadas como nossas. Este é o artigo com o qual a Igreja está de pé ou cai.
“Recebemos o perdão dos pecados e nos tornamos justos diante de Deus por graça, por causa de Cristo, mediante a fé, quando cremos que Cristo sofreu por nós e que, por causa dele, nos são perdoados os pecados e nos são dadas a justiça e a vida eterna.” — Confissão de Augsburgo, Artigo IV (1530)
As boas obras seguem a fé como o fruto segue a árvore viva. Fazemos boas obras não para ganhar o céu, mas porque o céu já nos foi dado em Cristo — as obras fluem da gratidão e do amor ao próximo.
Lei e Evangelho
Deus fala duas palavras na Escritura. A Lei mostra a santa vontade de Deus e expõe o nosso pecado; ela diagnostica, mas não cura. O Evangelho dá o que a Lei exige: anuncia o perdão gratuito dos pecados por causa de Cristo. Distinguir corretamente essas duas palavras é a chave para entender toda a Bíblia — e para uma consciência em paz com Deus.
Os Meios da Graça
Deus não nos deixa procurá-lo em nossos sentimentos ou esforços. Ele vem a nós, de forma concreta e certa, pelos meios que designou:
A Pregação e a Absolvição
Pela Palavra pregada, o Espírito Santo cria e sustenta a fé. Na Santa Absolvição, o perdão que Cristo conquistou na cruz é falado diretamente ao pecador arrependido — e essa palavra é tão válida e certa, também no céu, como se Cristo, nosso amado Senhor, tratasse conosco pessoalmente.
O Santo Batismo
O Batismo não é um mero símbolo. É a água ligada à palavra de promessa de Deus, pela qual ele opera o perdão dos pecados, livra da morte e do diabo e dá a salvação eterna a todos os que creem. Porque o Batismo é obra de Deus e não nossa, batizamos também as crianças — pois a promessa é para vós e para vossos filhos (Atos 2:38–39).
O Sacramento do Altar
Na Santa Ceia, o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue de nosso Senhor Jesus Cristo estão verdadeiramente presentes, são distribuídos e recebidos sob o pão e o vinho, para nós cristãos comermos e bebermos — dados para o perdão dos pecados. Não é um mero memorial: as palavras de Cristo, “isto é o meu corpo… isto é o meu sangue”, significam o que dizem. Contudo, não ensinamos que a Ceia seja um sacrifício que oferecemos a Deus pelo pecado; ela é o dom e testamento de Cristo para nós — o seu sacrifício único e perfeito entregue aos nossos lábios.
Nossas Confissões
Porque as palavras importam e almas estão em jogo, vinculamo-nos a uma confissão de fé pública e escrita. Aceitamos sem reservas o Livro de Concórdia de 1580 — não como rival da Escritura, mas porque expõe fielmente a Escritura. Ele contém:
- Os três Credos Ecumênicos — Apostólico, Niceno e Atanasiano
- A Confissão de Augsburgo (1530)
- A Apologia da Confissão de Augsburgo (1531)
- Os Artigos de Esmalcalde (1537)
- O Tratado sobre o Poder e o Primado do Papa (1537)
- O Catecismo Menor de Lutero (1529)
- O Catecismo Maior de Lutero (1529)
- A Fórmula de Concórdia (1577)
É isso que significa ser uma igreja luterana confessional: nosso ensino não é o que o pastor atual por acaso pensa, mas uma confissão pública, provada pela Escritura e mantida por cinco séculos. Você pode ler tudo por si mesmo — e nós o encorajamos a isso. Comece pelo Catecismo Menor.
Nossa Comunhão
Estamos em comunhão doutrinária com as igrejas luteranas confessionais do Conselho Luterano Internacional — entre elas a Igreja Evangélica Luterana da Inglaterra (ELCE), a Igreja Luterana—Sínodo de Missouri (LCMS) e a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). Se você é membro da IELB, a nossa confissão é a sua.